segunda-feira, 9 de maio de 2022

Why don't we just dance around? (maybe i need to stop dancing around)

No inicio achei que era ao sabor do vento era uma boa ideia. A verdade é que nunca o fiz, não romanticamente. A minha primeira relação foi trabalhada ao longo de meses de mensagens à distancia, pensada a cada toque no botão enviar. Quando começou eu sabia exactamente o que desejava (uma primeira relação com amor e carinho, para ser sincera) e foi isso que ela me deu. Não pedi muito, e ele deu-me muito mais do que eu merecia. A segunda relação... bem a segunda relação tem todos estes posts escritos sobre ela. Deu-me amor, quisá a conexão mais bonita que terei na vida, deu-me casa. Também me deu lagrimas, duvida, ansiedade, sofrimento e uma manta de algo tóxico que não sei se ultrapassarei. Por isso, quando olhei para uma possivel terceira relação, o pensamento foi: e porque não? Porque não fazer o oposto do que veio antes, puxar a espontaneadade que não costuma haver em mim, ver no que dá. Até pode ter um final bonito, claro, mas se não tiver será um ombro a chorar, uma refeição a partilhar, uma cama a desmanchar. "Não preciso que esta relação me dê tudo" repeti vezes sem conta, "não preciso que me tragam a intensidade de antes, que seja o amor da minha vida, que seja a relação que me faz tirar os pés do chão e rodopiar sobre mim mesma".

Não é, é certo. E não há nada de errado nisso.
Não haveria nada de errrado nisso...
Se eu fosse assim.

Capaz de viver meias vidas, meios-sentimentos. Capaz de seguir no calor do momento, a aproveitar o que tenho sem pensar em excesso naquilo que falta, naquilo que pode surgir quisá um dia com ele, quisá com outro alguém. Será que quereria mesmo isso aqui, tão longe? Prender-me a alguém no outro lado do oceano e não conseguir saltar de volta para casa (a minha definição de casa, pelo menos)? Ele atrai-me. Faz-me rir. Ajuda-me a lembrar-me que é possivel fazer um pouco de tudo, viver um pouco de tudo, estar em todo o lado com toda a gente. 

Será que é errado querer mais? Porque é que não consigo aceitar que cada relação não tem de ser o balde de amor e intensidade que a nossa antes foi... O amor que cura mas também corrói e faz um buraco no peito que achamos que nunca vai fechar. Porque é que não consigo viver as metades, satisfazer-me com algo que tantos outros quereriam ter. Nunca é suficiente, falta sempre algo - falta carinho, falta prioritização, falta abertura, falta falar abertamente dos sentimentos durante horas até que a lingua perde o fio (como falavamos...). Porque é que não consigo olhar para as relações como ele próprio faz - só mais uma, só mais um ser, só mais um sentimento que flutua. Numa vida de relações falhadas em torno de mim, o que é que me faz ainda conseguir olhar para elas com este olhar sagrado? 

Mas, sinceramente, será que é errado querer mais? Porque é que não hei de desejar - de merecer - o carinho, a prioritização, a abertura, as conversas longas? Porque é que tenho de me convencer vezes e vezes sem conta que não faz mal, isto é bom, é bonito, é practico (porque o é) e tudo isso pode vir depois, talvez ainda com ele, provavelmente com outro alguém. "Não tem de ser para já". E porque não? Se ficar doente amanhã, não quererei saber que fiz o possível para procurar ter a pessoa certa ou meu lado? Ou contentar-me-ei com aquilo que tenho porque é practico, é suficiente, faz sentido no momento. 

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

you said forever now I walk alone past your street

Guardo tanto rancor por ti. Onde houve outrora um amor que borbulha para fora do corpo, há uma cólera que não acalma. Não te odeio, não tinha como o fazer. Como é que posso odiar alguém que se tornou parte de mim? Mas não consigo pensar em ti sem cerrar os punhos e ranger os dentes, sem querer gritar-te na cara tudo o que me fizeste, consciente ou inconscientemente. 

Engraçado como já pouco penso em ti, mas estás em todos os meus sonhos - e são tantos. Sonho sempre com uma reconciliação, mas acordada não te quero mais na minha vida. Prefiro assim, passo mais tempo de olhos abertos e sem vontade de ti. Não sei ao certo o que podem esses sonhos significar, mas sei que me lembram a cada manhã que esta porta ainda está meio aberta e só a consigo fechar quando te vir. Mas como, se guardo tanto rancor por ti?

Anteontem pensei em ti antes de adormecer, admito. Caíram algumas lágrimas, as únicas desde há muito tempo. Imaginei a nossa conversa, como seria, como será, e dei por mim a gritar contigo dentro da própria cabeça. Disse-te que foste um fraco, que me magoaste exactamente onde sabias estar a ferida, que nunca me mereceste o sofrimento que passei por ti. Disse-te que te julgava alguém que não és, que inventei uma versão de ti que em dois anos não foste capaz de alcançar. Lembrei-te que te dei tudo o que conseguia e, em troca, me deste silêncio e desprezo.

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Ainda bem que te foste, pesavas-me mais do que podia aguentar. Sempre que passo pelo sítio onde travámos a conversa que ditou o nosso fim sorrio, a olhar para a versão de mim que dizia entre lágrimas que não ia conseguir sobreviver sem ti. Fico magoada com o quanto subestimei a minha capacidade de pegar em mim e ser invencível sozinha. A verdade é que eu já mal sobrevivia contigo.

sábado, 19 de setembro de 2020

ficar ou deixar

Como é que algo que nasce tão bonito morre tão penosa e vagarosamente? Como é que nós morremos? Nós, que parecíamos tão certos, peças de encaixe. Um amor que estava escrito e destinado a começar, agora a morrer tão devagar.

Onde é que mudou? Onde é que comecei a duvidar se te amo ou se amo a ideia de te ter e de nos ter? Quero desesperadamente apanhar-nos do chão, limpar-nos, polir-nos, dar-nos uma nova vida. Mas sei que sou eu que pego na pá e nos escavo mais fundo, todos os dias a cada discussão - e são tantas e já tão naturais. É demasiado óbvio para mim que não crescemos a ter-nos. Talvez tenhamos mesmo encaixado, mas a cola que nos agarrou era fraca e insuficiente. 

Mas não te largo. Não consigo. A ideia de te deixar ir é tão penosa que dilacera, mas a ideia de continuarmos já não me traz qualquer alento. Dou por mim a fantasiar o que seria estar com alguém que não tu. Alguém que compreende-se, alguém que vivesse na mesma lingua que eu. Seria melhor? Ou estarei só a projectar uma fantasia que não me trará nada senão dor?

Não consigo perceber se o problema está em nós ou só em mim. Não sei se estamos destinados a encontrar felicidade com outro alguém - e a dor que vem só de te imaginar a abraçar outra que não eu - ou se isto é o melhor que encontramos, que encontro. Assombra-me o medo de acabar a compreender que afinal o problema fui sempre eu e eu apenas, que a minha essência é o que não me permite a felicidade e vai ser sempre igual daqui para a frente. Tenho tanto medo que o problema vá ser sempre eu e que não encontrarei encaixe melhor porque o defeito esteve sempre em mim. 

Não sei o que deva fazer e o desespero da não compreensão está a matar-me. Ficar ou deixar-te ir. Ficar ou deixar-nos ir.

Onde é que nos perdemos? Diz-me. Onde é que nos perdemos.

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

o ele... e a ela

É engraçado, de uma forma assombrada e verdadeiramente perturbadora, como o meu inconsciente encontra sempre um desvio no meio que parecia ser a felicidade genuína para não me permitir vivê-la com a intensidade que mereço. Como o tudo estar bem me causa indiginação em vez de alívio e automaticamente inicio esta busca interior por algo que quebre os meus sorrisos e não me permita saborear ao máximo a minha recém encontrada felicidade.

Com ele, encontrei-a a ela. Algo com que me obcecar, com que sofrer, com que me inferiorizar. Não me podia nunca contentar com o ter alguém que me faz feliz, não me causa dúvidas ou inseguranças nem me demonstra nunca que não me quer. Que simples seria, agarrar-me ao bom que tenho sem procurar alguma dor imaginária capaz de me despedaçar?

Sinto uma insegurança extrema com ela que nunca antes senti por ninguém - e tão insegurança que eu sempre fui, durante tanto tempo. Quando olho para o espelho, sou suficiente; quando olho para ela, reduzo-me a nada. O meu corpo é mais flácido e cheio, o meu peito é menos redondo, as minhas pernas não conseguem ser tão alongadas, o meu cabelo já não é tão lustroso, o meu rosto... o meu rosto é incomparável de tão inferior que se releva a cada feição que vejo nela. Tantos anos passados a construir uma confiança que se revela por tantas vezes inabalável e tudo se me quebra nos pés com o passar de uma só foto.

Subitamente passo a desejar ardentemente nunca gravar com ele uma memória, porque nunca será tão bonita e digna de retrato. Tenho vergonha de pensar numa camâra apontada por ele a mim, eu sempre tão desajeitada e contrária à noção de fotogenia, ela a dominar a lente com uma naturalidade invejável. Tenho vergonha de me ver, porque me vejo mais pequena que ela, e só isso passa a importar. Pouco me interessa se tenho noção da minha inteligencia, das minhas conquistas, do quão fascinante pode ser aquilo que as vezes me passa pela cabeça. Nada disso importa mais, porque qualquer conquista dela é agora mais digna de valor que a minha - e a minha, que valia tanto há apenas uns minutos atrás! Eu saio todos os dias de casa na capital de uma das maiores nações do mundo, a caminho de uma instituição importante que me escolheu... mas ela segura um microfone e surge num ecrã e já é 10x o que eu sou.

É irracional, obcessivo, intenso e destuidor, e eu não consigo que pare. Quase 1 ano passado e arruina-me tanto como arruinou na primeira vez, faz-me sentir tão pequena como fez no primeiro dia. Consome os meus pensamentos demasiados dias e demasiadas noites, faz-me pesquisar o nome dela, ver as fotos dela vezes e vezes sem conta, procurar comentários dele e pensar "ele sabe. ele sabe que nunca serei assim". Quero que acabe. Quero tanto que acabe e não sei como.

terça-feira, 26 de novembro de 2019

"Amanhã digo-te algo para irmos tomar café". Mais uma mentira, mais uma esperança vã de concretização impossível que me destruirá, ainda que ele não perceba. Mas desta vez estou preparada e ele já não me dói no coração. Já não me controla os pensamentos nem guia os meus passos apenas com o som das suas palavras. Pelo menos foi tudo isso que pensei naquela véspera de Natal, depois de caminharmos lado a lado enquanto nos relembrávamos que não éramos os mesmos mas, no fundo, nada tinha mudado. E errei. Pela primeira vez errei com ele e a mensagem apareceu, o café surgiu e estamos aqui, 3 meses depois. Desde 2013 a escrever sobre ti e tenho-te comigo pela primeira vez em 2019, seis anos de uma estranha vontade de ti.

Ainda não me habituei a que sejas meu. Quero gritar a cada versão do passado que finalmente te tenho, te toco, te abraço, de beijo, e é tudo tão suave como tinha imaginado. Que bom é ouvir-te dizer que me queres contigo...

(...)

Março 2019

sexta-feira, 13 de abril de 2018

o pós

Sendo a pessoa que passou a adolescencia a acreditar que nunca teria uma relação, terminar a que tinha foi a coisa mais difícil que alguma vez. 
Sabia que tinha todos os motivos para o fazer, que era o mais certo, a atitude sensata. Sabia que a dor ia desaparecer comigo mais depressa do que desaparecia com ele, que o meu sofrimento nada era comparado com o que lhe daria, que o sentimento não era o certo para uma relação de 2 anos...
Ainda assim a dor dilacerou-me. Saiu-me do peito e encheu-me o corpo de forma tão intensa que só conseguia gritar. Gritar o mais alto possível para que de algum modo deixasse de dor, deixasse de me tirar as forças, a vontade, o espírito. Como é que o sofrimento pode ser tanto ao despedirmo-nos de alguém de vontade própria? Como é que é suposto ter a capacidade psicológica de aguentar no dia em que a moeda girar e for eu a sofrer com um punhal no meio do coração?

No entanto estava certa, estive sempre certa. A dor desapareceu com a mesma velocidade com que surgiu. As necessidades de enviar uma mensagem perderam-se, as lágrimas nas noites sombrias secaram, as memórias desvaneceram-se e é isso que tanto me assusta. Como é que alguém que preenche toda a tua vida depois de dois anos desaparece assim, no meio da neblina, do teu cérebro, do teu coração? Como é que 2 anos passam a ser reduzidos a pequenos fragmentos de nada? 
Grande parte do tempo mal me lembro de como ele dormia ao meu lado, da maneira como me agarrava nas costas a beijar-me, de como me tocava na cama, de como colaborava com as minhas piadas sem graça, de como éramos um só perto dos nós amigos. E quando me lembro dói um pouco, uma pontada de nostalgia de recordar como era feliz nessas alturas. Não me arrependo nunca de o ter feito, sempre soube que estava a ser uma pessoa maior ao fazê-lo. Ele não era o meu, ainda que eu talvez fosse a dele. Ele não me dava as borboletas que eu precisava e decidi abdicar do que tinhamos, ainda que não saiba se alguém dia alguém me as irá dar. No entanto, não é por isso que um pequeno rastro de saudade não bate de vez em quando, que as poucas memórias não me façam sorrir. Porque a nossa relação foi isso - um sorriso bonito, mas eu preciso de uma gargalhada sonora. 

Sinto saudades da íntimidade que uma relação traz, da capacidade de falar de tudo sem nos autocensurarmos, de dormir com alguém ao lado, da possibilidade de beijar alguém a qualquer momento, sem razão aparente. Tenho mais saudades das coisas que estão inerentes a uma relação do que dele propriamente dito, e isso diz muito da minha necessidade em terminar tudo. Assumo que estou bem assim, solteira, pronta a explorar o que me rodeia sem compromissos e apenas com casualidades. Não me sinto amorosamente ressabiada nem assobio descontente aos casais que vejo passar. Estou bem como há muito não estava. Mas todos temos fraquezas, momentos em que nos vemos abaixo e o "e se" nos ataca e o estar sozinho nos assusta. O truque é não as deixar tomar conta de nós, não ficar agarrado a antigas mensagens e momentos que já lá vão. O que vai volta sempre, noutra forma, noutro corpo, noutro homem - quando e se tiver de voltar.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

a derradeira escolha

Como é que nos encontramos a nós mesmos? Existe alguma fórmula mágica que surge eventualmente na nossa vida que nos indica que estamos no caminho certo? Ou vamos passar o resto dos nossos dias assim, às amolgadelas, à procura do nosso derradeiro destino, em busca da nossa razão de viver.

Quando é que esta fase de teste acaba, este "será que é isto? será que é aquilo?". Quero as certezas, o ponto de exclamação e o fim de todas as interrogações. Quero saber se tudo aquilo de que estou é abdicar acaba a valer a pena no panorama geral das coisas, se vou acabar a ganhar muito mais daquilo que perco.