it's all in my head
segunda-feira, 9 de maio de 2022
Why don't we just dance around? (maybe i need to stop dancing around)
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021
you said forever now I walk alone past your street
Guardo tanto rancor por ti. Onde houve outrora um amor que borbulha para fora do corpo, há uma cólera que não acalma. Não te odeio, não tinha como o fazer. Como é que posso odiar alguém que se tornou parte de mim? Mas não consigo pensar em ti sem cerrar os punhos e ranger os dentes, sem querer gritar-te na cara tudo o que me fizeste, consciente ou inconscientemente.
Engraçado como já pouco penso em ti, mas estás em todos os meus sonhos - e são tantos. Sonho sempre com uma reconciliação, mas acordada não te quero mais na minha vida. Prefiro assim, passo mais tempo de olhos abertos e sem vontade de ti. Não sei ao certo o que podem esses sonhos significar, mas sei que me lembram a cada manhã que esta porta ainda está meio aberta e só a consigo fechar quando te vir. Mas como, se guardo tanto rancor por ti?
Anteontem pensei em ti antes de adormecer, admito. Caíram algumas lágrimas, as únicas desde há muito tempo. Imaginei a nossa conversa, como seria, como será, e dei por mim a gritar contigo dentro da própria cabeça. Disse-te que foste um fraco, que me magoaste exactamente onde sabias estar a ferida, que nunca me mereceste o sofrimento que passei por ti. Disse-te que te julgava alguém que não és, que inventei uma versão de ti que em dois anos não foste capaz de alcançar. Lembrei-te que te dei tudo o que conseguia e, em troca, me deste silêncio e desprezo.
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Ainda bem que te foste, pesavas-me mais do que podia aguentar. Sempre que passo pelo sítio onde travámos a conversa que ditou o nosso fim sorrio, a olhar para a versão de mim que dizia entre lágrimas que não ia conseguir sobreviver sem ti. Fico magoada com o quanto subestimei a minha capacidade de pegar em mim e ser invencível sozinha. A verdade é que eu já mal sobrevivia contigo.
sábado, 19 de setembro de 2020
ficar ou deixar
Como é que algo que nasce tão bonito morre tão penosa e vagarosamente? Como é que nós morremos? Nós, que parecíamos tão certos, peças de encaixe. Um amor que estava escrito e destinado a começar, agora a morrer tão devagar.
Onde é que mudou? Onde é que comecei a duvidar se te amo ou se amo a ideia de te ter e de nos ter? Quero desesperadamente apanhar-nos do chão, limpar-nos, polir-nos, dar-nos uma nova vida. Mas sei que sou eu que pego na pá e nos escavo mais fundo, todos os dias a cada discussão - e são tantas e já tão naturais. É demasiado óbvio para mim que não crescemos a ter-nos. Talvez tenhamos mesmo encaixado, mas a cola que nos agarrou era fraca e insuficiente.
Mas não te largo. Não consigo. A ideia de te deixar ir é tão penosa que dilacera, mas a ideia de continuarmos já não me traz qualquer alento. Dou por mim a fantasiar o que seria estar com alguém que não tu. Alguém que compreende-se, alguém que vivesse na mesma lingua que eu. Seria melhor? Ou estarei só a projectar uma fantasia que não me trará nada senão dor?
Não consigo perceber se o problema está em nós ou só em mim. Não sei se estamos destinados a encontrar felicidade com outro alguém - e a dor que vem só de te imaginar a abraçar outra que não eu - ou se isto é o melhor que encontramos, que encontro. Assombra-me o medo de acabar a compreender que afinal o problema fui sempre eu e eu apenas, que a minha essência é o que não me permite a felicidade e vai ser sempre igual daqui para a frente. Tenho tanto medo que o problema vá ser sempre eu e que não encontrarei encaixe melhor porque o defeito esteve sempre em mim.
Não sei o que deva fazer e o desespero da não compreensão está a matar-me. Ficar ou deixar-te ir. Ficar ou deixar-nos ir.
Onde é que nos perdemos? Diz-me. Onde é que nos perdemos.
quarta-feira, 27 de novembro de 2019
o ele... e a ela
Com ele, encontrei-a a ela. Algo com que me obcecar, com que sofrer, com que me inferiorizar. Não me podia nunca contentar com o ter alguém que me faz feliz, não me causa dúvidas ou inseguranças nem me demonstra nunca que não me quer. Que simples seria, agarrar-me ao bom que tenho sem procurar alguma dor imaginária capaz de me despedaçar?
Sinto uma insegurança extrema com ela que nunca antes senti por ninguém - e tão insegurança que eu sempre fui, durante tanto tempo. Quando olho para o espelho, sou suficiente; quando olho para ela, reduzo-me a nada. O meu corpo é mais flácido e cheio, o meu peito é menos redondo, as minhas pernas não conseguem ser tão alongadas, o meu cabelo já não é tão lustroso, o meu rosto... o meu rosto é incomparável de tão inferior que se releva a cada feição que vejo nela. Tantos anos passados a construir uma confiança que se revela por tantas vezes inabalável e tudo se me quebra nos pés com o passar de uma só foto.
Subitamente passo a desejar ardentemente nunca gravar com ele uma memória, porque nunca será tão bonita e digna de retrato. Tenho vergonha de pensar numa camâra apontada por ele a mim, eu sempre tão desajeitada e contrária à noção de fotogenia, ela a dominar a lente com uma naturalidade invejável. Tenho vergonha de me ver, porque me vejo mais pequena que ela, e só isso passa a importar. Pouco me interessa se tenho noção da minha inteligencia, das minhas conquistas, do quão fascinante pode ser aquilo que as vezes me passa pela cabeça. Nada disso importa mais, porque qualquer conquista dela é agora mais digna de valor que a minha - e a minha, que valia tanto há apenas uns minutos atrás! Eu saio todos os dias de casa na capital de uma das maiores nações do mundo, a caminho de uma instituição importante que me escolheu... mas ela segura um microfone e surge num ecrã e já é 10x o que eu sou.
É irracional, obcessivo, intenso e destuidor, e eu não consigo que pare. Quase 1 ano passado e arruina-me tanto como arruinou na primeira vez, faz-me sentir tão pequena como fez no primeiro dia. Consome os meus pensamentos demasiados dias e demasiadas noites, faz-me pesquisar o nome dela, ver as fotos dela vezes e vezes sem conta, procurar comentários dele e pensar "ele sabe. ele sabe que nunca serei assim". Quero que acabe. Quero tanto que acabe e não sei como.
terça-feira, 26 de novembro de 2019
(...)
Março 2019
sexta-feira, 13 de abril de 2018
o pós
quarta-feira, 20 de setembro de 2017
a derradeira escolha
Quando é que esta fase de teste acaba, este "será que é isto? será que é aquilo?". Quero as certezas, o ponto de exclamação e o fim de todas as interrogações. Quero saber se tudo aquilo de que estou é abdicar acaba a valer a pena no panorama geral das coisas, se vou acabar a ganhar muito mais daquilo que perco.